Num ano que ficou marcado pelas aquisições da Tilbury Green Power (TGP), no segmento da biomassa residual, da V-Ridium no negócio da energia solar fotovoltaica e eólica, bem como da Profit Energy e a Perfecta Energia, o resultado líquido ajustado atribuível à Greenvolt ascendeu a 11,9 milhões de euros. No quarto trimestre, os lucros ajustados foram de 3,6 milhões, um aumento homólogo de 172%.
O EBITDA excluindo custos de transação cresceu 87% para 61,6 milhões de euros no acumulado de 2021 (cresceu 256,7% no quarto trimestre para alcançar os 27,7 milhões). Num cenário teórico em que todas as aquisições teriam ocorrido no dia 1 de janeiro do ano de 2021, o EBITDA pro forma da totalidade do exercício de 2021 ascenderia a cerca de 75 milhões de euros, o que reflete um crescimento de cerca de 127% face ao EBITDA de 33 milhões de euros registado em 2020.
Tendo em conta a evolução das várias unidades de negócio da Greenvolt, a biomassa, o segmento de energia renovável solar fotovoltaica e eólica e a geração renovável distribuída, as receitas totais atingiram os 141,5 milhões de euros (+57%) no total do ano passado. Só no quarto trimestre as receitas totais ascenderam a 58,1 milhões de euros, um crescimento de 177% em termos homólogos.
João Manso Neto, CEO da Greenvolt, salienta que "a estratégia diferenciadora assente em produção energética 100% renovável foi sendo implementada ao longo do quarto trimestre do ano, o que se materializou num desempenho económico e financeiro francamente positivo."
Biomassa dá forte contributo para os resultados
O negócio da biomassa residual, que inclui as centrais em Portugal, os custos de estrutura e a central de TGP, foi, durante o ano de 2021, o que mais contribuiu para os resultados consolidados da Greenvolt, situação expectável face à maturidade deste negócio. Os interesses sem controlo aumentaram face ao período homólogo, estando a variação essencialmente relacionada com TGP.
A Greenvolt detém 5 centrais de biomassa residual florestal em Portugal, com uma capacidade instalada de cerca de 100 MW, controlando 51% da TGP no Reino Unido, operando uma central com cerca de 42 MW que utiliza exclusivamente resíduos lenhosos urbanos. Em termos de produção elétrica total, durante o ano 2021, foram injetados na rede 873,3 GWh, o que corresponde a um aumento de 19,2% face à energia injetada no período homólogo do ano anterior
Pipeline de projetos de energia solar e eólica acima do prometido
No segmento de energia renovável solar fotovoltaica e eólica, a Greenvolt está, essencialmente, presente no segmento mais a montante da cadeia de valor – a fase de desenvolvimento e promoção de projetos – através da aquisição da V-Ridium. Foi adquirida da KSME, empresa de soluções de armazenagem energética.
Além disso, a Greenvolt celebrou também durante o ano de 2021 acordos de co-desenvolvimento em Itália e na Grécia com promotores reconhecidos no mercado, sendo o pipeline atual de cerca de 5,6 GW, o que representa um crescimento de 1,5x face ao pipeline de projetos existentes à época do IPO.
O segmento de desenvolvimento de energia renovável solar fotovoltaica e eólica inclui também o parque solar fotovoltaico de Tábua, Portugal, com cerca de 48 MWp, e as Unidades de Pequena Produção, com cerca de 14 MWp, que entrarão em operação durante o terceiro trimestre de 2022.
Se a operação da V-R tivesse sido consolidada desde o início do ano, o EBITDA do segmento teria ascendido a cerca de 1,9 milhões de euros.
Geração energética renovável descentralizada é estratégica
A Greenvolt está presente no segmento de geração renovável distribuída através da Profit Energy, empresa portuguesa na qual detém uma participação de 70% e que opera no segmento comercial e industrial, e da Perfecta Energia, empresa espanhola na qual detém uma participação de 42,19% e que opera no segmento residencial. Esta é uma área de negócio que a Greenvolt considera estratégica, ambicionando reforçar a sua quota de mercado a nível europeu.
Durante o ano de 2021, a Profit, cuja aquisição se formalizou no final de agosto de 2021, concluiu a instalação de 18 MWp. A Perfecta, aquisição que se materializou em outubro, instalou cerca de 4,5 MWp de instalações solares fotovoltaicas residenciais para cerca de 1.500 famílias espanholas.
Em termos anuais, o EBITDA deste segmento foi negativo em cerca de 1,5 milhões de Euros (dados numa base stand-alone), o que é expectável dada a fase de ramp-up em que se encontra esta área de negócio.


