A Greenvolt alcançou um resultado líquido ajustado de 1,3 milhões de euros no primeiro trimestre, um crescimento de 43% face ao período homólogo. O EBITDA mais do que triplicou neste período, com as receitas a apresentarem um crescimento expressivo na comparação com o primeiro trimestre de 2021.

O EBITDA da Greenvolt, excluindo custos de transação, ascendeu a cerca de 22 milhões de euros, um aumento de 241%, enquanto as receitas somaram atingiram os 56,6 milhões de euros (+167%), com o segmento da biomassa residual a dar o maior contributo dada a maturidade deste negócio.

Estes resultados foram alcançados num período em que a Greenvolt prosseguiu com o aprofundamento da política de melhoria contínua e de digitalização ao nível das suas centrais de biomassa residual, mas também foram realizadas várias aquisições no segmento de energia renovável solar fotovoltaica e eólica do tipo utility scale. E foram dados passos importantes para a promoção do segmento estratégico de geração renovável distribuída nos segmentos residencial e de comércio e indústria.

A invasão da Ucrânia pelas tropas da Federação Russa, para além das óbvias lamentáveis consequências sociais e humanas, colocou a independência energética europeia na ordem do dia, com protagonismo para as fontes solares e eólicas. Levou já a União Europeia a aprovar uma estratégia de promoção da geração de eletricidade através de fontes renováveis, quer ao nível da larga escala (utility scale), quer ao nível do autoconsumo (geração distribuída), onde a Greenvolt está presente.

"Os dramáticos acontecimentos que assistimos atualmente no leste da Europa reforçam a necessidade de mais fontes de geração energética de base renovável", diz João Manso Neto. "A Greenvolt apresenta uma capacidade única de contribuir com soluções materiais para a transição e independência energética à escala europeia, tendo atualmente em operação e em construção um total de cerca de 371 MW em todas as tecnologias, em quatro geografias: Portugal, Polónia, Roménia e Reino Unido", destaca o CEO da Greenvolt.

Biomassa residual reforça resultados

O negócio da biomassa residual, que inclui as cinco centrais da Greenvolt em Portugal, os custos de estrutura e a central de TGP (da qual a Greenvolt é detentora de uma posição maioritária de 51%), foi o que mais contribuiu para os resultados consolidados, tendo em conta a maturidade deste negócio.

O EBITDA recorrente deste segmento ascendeu a 25,3 milhões de euros, praticamente multiplicando por quatro o valor alcançado no mesmo período de 2021. As receitas cresceram 130% para 48,7 milhões de euros.

Este desempenho reflete a eficiência da gestão operacional, a incorporação no perímetro de consolidação da TGP e o preço da eletricidade no Reino Unido, já que, recorde-se, as receitas de TGP têm uma componente fixa – abrangidas pelo sistema de Renewables Obligation Certificates, indexado à evolução do Retail Price Index (RPI) – acrescido de uma componente variável, dependente do preço da energia elétrica no mercado.

Pipeline de projetos de energia solar e eólica ascende a 6,6 GW

No segmento de energia renovável solar fotovoltaica e eólica, os resultados refletem a fase de preparação dos projetos e a expansão da atividade, cujas receitas provenientes da estratégia de rotação de ativos apenas são geradas pelo processo de alienação, bem como os custos operacionais incorridos durante a fase de construção dos parques solares em construção em Portugal. Nesta medida, o EBITDA gerado foi negativo em cerca de 2,9 milhões de euros, tendo as receitas ascendido a 2,2 milhões, na sua maioria relacionadas com serviços de asset management.

A Greenvolt prosseguiu a sua estratégia de aquisições. Foi concluída a compra de 35% da MaxSolar, empresa que desenvolve projetos fotovoltaicos solares assentes no solo ou em telhados na Alemanha e na Áustria, com um pipeline de 3,2 GW, dos quais 0,8 GW estão em estado avançado de desenvolvimento. Foi também criada com a Green Mind Ventures a Sustainable Energy One para a promoção, aquisição e desenvolvimento, em Espanha, de projetos solares fotovoltaicos de pequena e média dimensão (até 10 MW).

Em termos de pipeline de projetos, à data de publicação deste comunicado, este ascende a 6,6 GW. O pipeline de projetos em fase avançada ascende a 2,7 GW até ao final de 2023.

Geração energética renovável descentralizada é estratégica

A Greenvolt está também presente no segmento estratégico de geração renovável distribuída nos segmentos residencial e de comércio e indústria (C&I), em Portugal e Espanha. No segmento de C&I, detém 70% da Profit Energy, em Portugal, a Perfecta Industrial, constituída durante o primeiro trimestre de 2021, em Espanha, e uma participação de 50% na Univergy Autoconsumo, também em Espanha, adquirida por 13,5 milhões de euros. No residencial detém 42,19% da Perfecta Energia, em Espanha, tendo, no segundo trimestre de 2022, sido lançada a Energia Unida, em Portugal, dedicada ao autoconsumo coletivo, através do conceito de comunidades de energia.

Esta área de negócio, solução óbvia para uma redução efetiva da fatura energética, alcançou um total de 67,9 MWp instalados e angariados em Portugal e Espanha apenas durante os primeiros três meses de 2022

A Profit concluiu a instalação de 3,8 MWp, detendo, no final de março, encomendas já assinadas de 56,5 MWp. A Perfecta instalou 1,8 MWp, detendo encomendas já assinadas de 2,7 MWp, e a Energia Unida detém encomendas já assinadas de cerca de 3,1 MWp. As receitas totais ascenderam a 5,8 milhões de euros, sendo o EBITDA negativo em 336 mil euros, dada a fase de investimento inicial no lançamento de novas empresas e na expansão da atividade, principalmente no mercado espanhol.