O resultado líquido atribuível à Greenvolt – Energias Renováveis, S.A. ascendeu a 1,2 milhões de euros no primeiro semestre de 2022, um crescimento de 17% face ao mesmo período do ano passado. Este resultado foi alcançado num período em que o EBITDA apresentou um aumento expressivo, tal como registado ao nível das receitas.

O EBITDA da Greenvolt ascendeu a 36,8 milhões de euros, mais do que triplicando (crescimento de 248%) face ao semestre homólogo, enquanto as receitas atingiram os 113,3 milhões de euros no primeiro semestre, o que representa um aumento de 170%.

Os resultados do primeiro semestre de 2022 são alicerçados na unidade de negócio de biomassa residual e no reforço do investimento nas áreas com maior potencial de crescimento, como sejam o desenvolvimento de projetos solares eólicos e fotovoltaicos, bem como a geração distribuída“, diz João Manso Neto, CEO da Greenvolt.

Durante este primeiro semestre, período marcado pela guerra na Ucrânia e pelas consequências significativas nos mercados energéticos, nomeadamente nos preços do gás e da electricidade, a Comissão Europeia apresentou o REPowerEU, um plano que tem como objetivo reduzir rapidamente a dependência europeia de combustíveis fósseis russos.

Este plano prevê um conjunto de ações com impacto significativo no segmento de utility scale, nomeadamente através de medidas que simplificam os processos de licenciamento de projetos de parques solares e eólicos, bem como no segmento de geração distribuída, para o qual a CE apresentou uma estratégia específica para a energia solar.

Este plano da Comissão Europeia vem assim confirmar a bondade das opções estratégicas da Greenvolt centradas no desenvolvimento projectos de energia solar fotovoltaica e eólica e do consumo descentralizado.

Biomassa dá forte contributo para os resultados

O negócio da biomassa residual, que inclui as cinco centrais da Greenvolt em Portugal, os custos de estrutura e a central de TGP (da qual a Greenvolt é detentora de uma posição maioritária de 51%), foi o que mais contribuiu para os resultados consolidados, tendo em conta a maturidade deste negócio. A paragem programada da central de TGP, durante 18 dias, teve, contudo, impacto.

Em termos semestrais as receitas acumuladas do segmento de biomassa totalizaram 90 milhões de euros, o que significa um aumento de 115% face ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA excluindo custos de transacções ascendeu a 44,7 milhões de euros, representando um aumento de 221%.

No segundo trimestre, as receitas ascenderam a 41,4 milhões de euros, um crescimento de cerca de 99% face ao segundo trimestre de 2021, enquanto o EBITDA recorrente (excluindo custos associados a transações), por seu turno, ascendeu a cerca de 19,4 milhões, o que se traduz num crescimento de aproximadamente 161%. Caso a paragem da TPG não tivesse ocorrido, o EBITDA neste trimestre teria ascendido a 22,8 milhões.

Pipeline de projetos solares e eólicos em fase avançada ascende a 2,9 GW até ao final de 2023

No segmento de energia renovável solar fotovoltaica e eólica, os resultados refletem a fase de preparação dos projetos e a expansão da atividade, cujas receitas provenientes da estratégia de rotação de ativos apenas são geradas pelo processo de alienação, bem como os custos operacionais incorridos durante a fase de construção dos parques solares em construção em Portugal. Contudo, este impacto é mitigado pela primeira vez com o contributo dos ativos em operação, num total de 45 MW.

As receitas totais do segmento ascenderam a 8,3 milhões de euros no primeiro semestre (ascenderam a 6,1 milhões no segundo trimestre) e o EBITDA excluindo custos de transação a -4,3 milhões de euros, o que denota uma melhoria operacional durante o segundo trimestre do ano, período em que o EBITDA foi negativo em cerca de 1,4 milhões de euros.

A Greenvolt prosseguiu a sua estratégia de aquisições, tendo adquirido o parque solar fotovoltaico LJG Green Source Energy Alpha (LIONS), em operação, na Roménia, com 45 MWp de capacidade, com remuneração assegurada através de uma componente em mercado e uma componente regulada de green certificates até 2031 que na sua maioria têm um contrato de venda estabelecido com a alemã EON.

Já no decorrer do terceiro trimestre foi anunciada a primeira venda de activos em COD, tendo a Greenvolt (detentora de 50% deste portfólio) chegado a acordo com a Iberdrola para a venda de dois parques eólicos (50 MW) e seis parques solares (48 MW), por 155 milhões de euros. A maioria do impacto financeiro desta transação será visível no segundo semestre de 2022.

A Greenvolt tem em construção, em Portugal, o parque de Tábua, com cerca de 48 MWp, e as Unidades de Pequena Produção (UPPs) da Figueira da Foz e de Ródão, que totalizam cerca de 14 MWp, e 10 MWp em construção, que são parte do portfólio de cerca de 200 MWp em parceria com a Infraventus.

No total, em termos de pipeline de projetos, este ascende a 6,7 GW em 10 geografias. O pipeline de projetos em fase avançada ascende a 2,9 GW até final de 2023, um aumento de 45% face ao final de 2021.

Execução de projetos de geração distribuída a acelerar

A Greenvolt está também presente no segmento estratégico de geração renovável distribuída nos segmentos residencial e de comércio e indústria (C&I), tanto em Portugal como em Espanha.

No segundo trimestre verificou-se uma maior execução de projetos, tendo sido concluída a instalação de 11,6 MWp (17,2 MWp no semestre). Até ao fim de junho de 2022, a Greenvolt conta com instalações e contratos assinados que totalizam 94,9 MWp entre Portugal e Espanha.

As receitas do segundo trimestre ascenderam a cerca de 9,2 milhões de euros, tendo o EBITDA sido negativo em cerca de 1,2 milhões, dada a fase de aceleração e expansão em que o segmento se encontra. Em termos semestrais as receitas fixaram-se em 15 milhões de euros, enquanto o EBITDA foi negativo em 1,5 milhões.

e. A classificação atribuída pela agência de notação financeira europeia coloca a dívida em “investment grade”, reflexo da confiança na estratégia delineada para o segmento das energias renováveis, o moderado nível de endividamento necessário para implementar essa mesma estratégia e a solidez da estrutura acionista.

A EthiFinance salienta o objetivo da Greenvolt de “passar de ser um produtor de energia especializado no segmento da biomassa para também ser um promotor de projetos em vários segmentos do mercado das energias renováveis”. É um “momento importante aquele em que a empresa se encontra, com significativos investimentos na aquisição de ativos”, acrescentam os analistas Carlos Sanjuán Martin e Guillermo Cruz Martínez.

Será esta a estratégia que permitirá à empresa implementar o seu plano de crescimento. “O nível de diversificação da empresa, tanto em termos de negócios quanto em termos geográficos, oferece um elevado potencial de crescimento no curto e médio prazo”, diz a agência, salientando o objetivo da Greenvolt de “gerar fluxos de caixa operacionais que vão contribuir positivamente para uma adequada situação financeira, apesar de manter uma moderada alavancagem”.

Esta avaliação feita pela EthiFinance, juntamente com o compromisso renovado dos acionistas de referência aquando do aumento de capital de 100 milhões de euros, leva a agência a atribuir à Greenvolt uma classificação de “investment grade”, rating que vem permitir abrir portas a novas emissões de dívida que possam contribuir para a implementação da estratégia de crescimento delineada, que acelerou nos últimos meses perante o surgimento de novas oportunidades potenciadas pelo REPowerEU, anunciado pela Comissão Europeia.

“Este rating, que nos coloca como um investimento de qualidade para os investidores no mercado de dívida, é extremamente importante para a Greenvolt”, diz João Manso Neto. “Não só reconhece o trabalho já feito, como revela confiança na estratégia definida para o crescimento da empresa. E vem ajudar a concretizá-lo, abrindo-nos as portas para realizarmos novas emissões de dívida no futuro”, acrescenta o CEO da Greenvolt.